Avanço mensal interrompe dois meses de retração, enquanto comparação anual e resultado acumulado mostram que atividade permanece abaixo dos níveis de 2025
A produção brasileira de produtos trefilados de metal registrou crescimento de 7,5% em julho de 2026 na comparação com junho, considerando a série com ajuste sazonal. O resultado representa uma reação após as quedas observadas nos meses anteriores, mas ainda não é suficiente para alterar o cenário de retração da atividade ao longo do ano. O grupo de trefilados engloba diversos produtos, como cabos, cordoalhas, telas metálicas, pregos e grampos, entre outros, abrangendo uma parcela relevante da indústria processadora de aço.
Evolução mensal da produção de trefilados
O comportamento dos últimos meses mostra uma atividade marcada por oscilações nas comparações mensais. Entretanto, na comparação interanual, ou seja, com o mesmo mês do ano passado, observa-se retração em todos os meses desde agosto de 2025, com uma intensificação do processo a partir do 2º trimestre de 2026.
Na comparação com julho de 2025, a produção de trefilados caiu 7,9%. No acumulado de janeiro a julho de 2026, a retração chega a 11%, enquanto nos últimos 12 meses a queda é de 10,4%.


Desempenho fica abaixo de outros segmentos industriais
Os números também chamam atenção quando comparados ao desempenho mais amplo da indústria. Em julho, a indústria de transformação cresceu 0,5% frente a junho, enquanto a fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos, avançou 0,8%. A metalurgia, por outro lado, recuou 1,4%.
No acumulado do ano, as diferenças ficam mais evidentes. Enquanto a indústria de transformação apresenta estabilidade, com crescimento de 0,1%, e a metalurgia acumula alta de 0,7%, a produção de trefilados registra queda de 11%.
Até mesmo dentro da cadeia de produtos de metal há diferença relevante: a fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos, acumula retração de 2,9% — resultado negativo, mas significativamente menor que o observado nos trefilados.
Cenário para o restante do ano é de cautela
O avanço de julho é um indicador positivo na margem, mas deve ser analisado dentro de um cenário mais amplo. produção de trefilados já começou 2026 em patamar inferior ao observado no início de 2025 e perdeu força de maneira mais acentuada a partir de abril. Desde então, houve alternância entre recuperação e retração mensal, sem que a atividade retornasse aos níveis do ano anterior.
O desempenho negativo ocorre mesmo em um contexto de redução do total de importações de produtos processados de aço (-5,7% em tonelagem no acumulado de janeiro a agosto). Essa combinação pode indicar que a ausência de reação da produção nacional decorre da redução do consumo aparente. Essa possibilidade encontra respaldo nos dados da indústria siderúrgica, setor a montante da indústria processadora de aço. De acordo com dados do Instituto Aço Brasil, o volume importado de aço laminado contraiu 20,3% no acumulado até agosto. Entretanto, essa redução não se reverteu em melhora da produção nacional, que caiu 2,5%, pois o consumo aparente recuou 4,2% no período.
O desempenho negativo da indústria processadora de aço ocorre em um contexto de desaceleração da economia brasileira a partir do 2º trimestre, com o Produto Interno Bruto crescendo apenas 0,5% frente ao trimestre anterior, quando o crescimento havia sido de 1,1%. Também contribuíram negativamente para o desempenho da economia brasileira dois importantes setores consumidores de produtos processados de aço: as indústrias de transformação e de construção. Ambos os setores apresentaram contração de 0,4% no 2º trimestre frente ao 1º.
Os fatores que vêm pressionando a economia brasileira e prejudicando o setor processador de aço devem permanecer presentes nos próximos meses: elevadas taxas de juros, alto endividamento de empresas e da população, tarifas nos Estados Unidos, aumento da concorrência chinesa nos mercados de exportação, além de incerteza quanto aos rumos da política econômica para 2027.
Fonte: IBGE | Acompanhamento e análise: Departamento de Economia da Abimetal-Sicetel.




