Importações desaceleram em 2026, mas avanço de produtos estrangeiros ainda preocupa a indústria processadora de aço

Relatório da Abimetal-Sicetel mostra queda nas importações até maio, mas revela crescimento das compras externas em mais da metade dos segmentos monitorados.

Após anos de forte avanço das importações, os primeiros sinais de desaceleração começaram a aparecer em 2026. Dados do mais recente Relatório de Importações da Abimetal-Sicetel apontam que as compras externas de produtos processados de aço somaram 346 mil toneladas entre janeiro e maio, volume 2,1% menor que o registrado no mesmo período do ano passado.

A retração também foi observada em valores. As importações movimentaram US$ 684,8 milhões nos cinco primeiros meses do ano, uma queda de 5,4% na comparação com 2025.

Mas, por trás dos números agregados, o cenário está longe de indicar alívio para a indústria nacional. O estudo mostra que, das 96 NCMs analisadas pela entidade, 50 registraram aumento das importações em 2026. Em 37 delas, o crescimento superou 10%, enquanto 30 apresentaram avanço superior a 20%.

Para André Cattaruzzi, economista da Abimetal-Sicetel, os dados sugerem uma mudança de ritmo, mas não uma reversão da tendência observada nos últimos anos. “A desaceleração das importações é um movimento relevante, mas ainda não significa uma redução efetiva da pressão competitiva sobre a indústria brasileira. Quando analisamos os segmentos individualmente, percebemos que muitos continuam registrando aumento das compras externas, o que mostra que o desafio permanece presente em boa parte da cadeia produtiva. Adicionalmente, as importações da maioria dos grupos de produtos ainda estão em níveis muito acima do registrado antes da pandemia “, afirma. 

A China também continua sendo a principal origem dos produtos importados, respondendo por cerca de 61% do volume total desembarcado no país. Entre janeiro e maio, foram importadas 210,5 mil toneladas de produtos chineses, praticamente o mesmo patamar observado em 2025.

Outro dado que chama atenção é a queda do preço médio dos produtos importados. O valor médio FOB passou de US$ 2,05 para US$ 1,98 por quilo no período analisado, indicando que os produtos estrangeiros continuam chegando ao mercado brasileiro com preços cada vez mais competitivos. Segundo Cattaruzzi, além do volume importando, é importante observar a questão dos preços. “A redução dos valores médios reforça o ambiente de competição enfrentado pela indústria nacional, que precisa lidar simultaneamente com custos internos elevados e com a concorrência de produtos importados em condições muitas vezes mais favoráveis”, destaca.

Embora maio tenha registrado uma queda significativa de 21,1% nas importações em relação a abril, a Abimetal-Sicetel avalia que ainda é cedo para afirmar que o movimento representa uma mudança estrutural do mercado. A entidade continuará monitorando os indicadores para avaliar os impactos sobre a produção, os investimentos e a geração de empregos na indústria processadora de aço.

Acesse o relatório completo (exclusivo para empresas associadas à Abimetal-Sicetel)

O Relatório de Importações da Indústria Processadora de Aço – Dados até maio de 2026 já está disponível na área restrita do portal da Abimetal-Sicetel. Associados podem acessar a íntegra do estudo para conferir análises detalhadas por segmento, evolução das importações, participação dos países fornecedores e tendências que impactam diretamente a competitividade da indústria nacional.

ACESSAR AQUI O RELATÓRIO COMPLETO

AINDA NÃO É ASSOCIADA? Clique aqui e saiba como fazer parte.

Compartilhe nosso conteúdo