Setor de trefilados registra queda de 6,1% em março na comparação anual, mas economista aponta leve recuperação de 1,7% em relação ao fechamento de 2025.
O setor de produtos derivados de arames de aço encerrou o primeiro trimestre de 2026 com uma retração de 6,7% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Os dados da indústria de trefilados, divulgados pelo IBGE, apontam um cenário de retração acentuada no ritmo produtivo em março, que registrou queda de 6,1% contra março de 2025.
Na análise mensal dessazonalizada, a produção de arames recuou 1,3% em março frente a fevereiro de 2026. Para André Cattaruzzi, economista da Abimetal-Sicetel, os números exigem uma leitura atenta sobre os ciclos de estoque e demanda.
“Embora o acumulado do trimestre mostre uma queda de 6,7% em relação ao ano passado, observamos um aumento de 1,7% na produção deste primeiro trimestre de 2026 quando comparado ao quarto trimestre de 2025. Entretanto, esta leve melhora da produção se dá diante de intensa competição com importados e margens cada vez mais apertadas para a indústria”, avalia Cattaruzzi.
Desempenho da metalurgia e produtos de metal
O cenário nos demais setores da cadeia metalúrgica apresenta variações mistas:
- Metalurgia: O segmento teve queda de 0,4% em março contra o mesmo mês de 2025. No acumulado do trimestre, a retração é de 1,1%. Contudo, houve um aumento de 1,2% em março contra o mês anterior (dado dessazonalizado).
- Produtos de metal: O setor (exceto máquinas e equipamentos) registrou alta de 2,7% em março contra março de 2025. Apesar da estabilidade em relação a fevereiro, o acumulado do trimestre ainda é negativo em 4%.
“Os dados indicam quedas generalizadas para o setor processador de aço no começo do ano, bem como suas áreas correlatas – metalurgia e produção de metais, exceto máquinas e equipamentos. Este cenário adverso deve prosseguir, marcado pelos juros elevados, câmbio apreciado, forte entrada de importações além das incertezas de ano eleitoral e relacionadas aos acontecimentos internacionais, com destaque à guerra no Oriente Médio”, finaliza o economista André Cattaruzzi.





