Produtos derivados de arames de aço fecham 2025 abaixo do ciclo anterior e reforçam ambiente de ajuste no setor

Quarto ano consecutivo de retração e perda de 21% frente a 2021 indicam aprofundamento da retração do setor.

A produção de produtos derivados de arames de aço encerrou 2025 com retração de 2,9% frente a 2024, acumulando quatro anos consecutivos de contração, segundo dados da PIM-PF/IBGE. O desempenho ficou abaixo da indústria de transformação (-0,2%), evidenciando maior exposição do segmento à desaceleração do ciclo industrial.

A retração do setor agravou no final do ano. Em dezembro, a produção recuou 20,5% na comparação interanual e 10,1% frente a novembro, no dado dessazonalizado. No acumulado do quarto trimestre, a retração foi de 12,3% ante o mesmo período de 2024 e de 21,4% em relação ao quarto trimestre de 2021, quando o setor operava em patamar mais elevado.

Para o economista da Abimetal-Sicetel, André Cattaruzzi, o quadro revela um cenário de fragilidade estrutural. “O setor enfrenta um ajuste severo, pressionado pela entrada massiva de produtos importados e pela crônica falta de competitividade ‘do portão para fora’. Não se trata apenas de eficiência produtiva, mas do peso do Custo Brasil, que asfixia a indústria e impede uma recomposição sólida do nível de atividade”, afirma.

Segundo ele, o distanciamento em relação a 2021 é um sinal de alerta para a urgência de mudanças estruturais. “A perda de mais de 20% frente ao patamar de 2021 evidencia que a indústria não conseguirá retomar o ciclo anterior apenas por inércia. Essa recuperação depende, obrigatoriamente, de um ambiente que favoreça novos investimentos produtivos e de uma redução real de custos. Mas, acima de tudo, é vital a aplicação rigorosa de medidas de defesa comercial que garantam a isonomia competitiva, permitindo que o produto nacional dispute o mercado em igualdade de condições com o importado”, avalia.

Cattaruzzi ressalta que, como elo intermediário da cadeia, os produtos derivados de  arames de aço respondem diretamente à dinâmica de setores como construção, bens duráveis e embalagens. “O desempenho do segmento funciona como termômetro da atividade industrial. E a recuperação também dependerá de medidas de defesa comercial”, conclui.

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