Altas nos EUA após tarifas de até 50%, recuperação pontual na China e queda acumulada no aço silício redesenham o ambiente competitivo internacional.
O mercado internacional de aço iniciou 2026 com movimentos assimétricos de preços, combinando recomposição em alguns produtos, pressão tarifária nos Estados Unidos e ajustes ainda em curso em segmentos específicos, como o aço silício, segundo relatório do Departamento de Economia da Abimetal-Sicetel
Na China, houve aumentos no início do ano para a maior parte dos produtos siderúrgicos, com exceção do minério de ferro (62%), que recuou 4,35% desde 1º de janeiro, e das bobinas a quente. O destaque foi a bobina a frio de aço inoxidável, com alta de 6,9% em 2026 até o início de fevereiro.
Nos Estados Unidos, o comportamento dos preços foi fortemente influenciado pelas tarifas de 25% impostas em março de 2025 sobre produtos siderúrgicos, posteriormente elevadas para 50% em junho. Desde o anúncio das medidas, produtos como vergalhão, fio-máquina e bobinas registraram altas expressivas. Na comparação com o início de 2025, os aumentos variam entre 16% e 41%, dependendo do produto.
Para o economista da Abimetal-Sicetel, André Cattaruzzi, o cenário internacional combina fatores comerciais e fundamentos de mercado. “As tarifas implementadas nos EUA produziram um efeito direto sobre os preços domésticos, elevando as cotações de diversos produtos siderúrgicos ao longo de 2025 e no início de 2026”, afirma.
Segundo ele, a recomposição observada na China é mais seletiva. “O início de 2026 mostra recuperação em alguns produtos, mas não há um movimento homogêneo. O recuo do minério de ferro, por exemplo, indica que os fundamentos da demanda ainda estão em ajuste”, avalia.
No segmento de aço silício, o comportamento foi distinto. Ao longo de 2025, os preços dos tipos W600 e W800 recuaram 13,8% e 14,9%, respectivamente. Na comparação com o início de 2024, as quedas acumuladas superam 18%. No começo de 2026, houve leve recuperação, com altas próximas de 3%. Para Cattaruzzi, esse movimento revela um processo de correção após um ciclo anterior de preços mais elevados.
“O aço silício apresentou trajetória de acomodação ao longo de 2025. A alta observada no início de 2026 ainda é moderada e precisa ser analisada dentro de um contexto mais amplo de equilíbrio entre oferta e demanda”, explica.
Na avaliação do economista, o ambiente internacional segue marcado por volatilidade e por mudanças estruturais no comércio global. “O setor de aço processado precisa monitorar simultaneamente as políticas comerciais, o comportamento dos insumos e a dinâmica da demanda internacional. O cenário é menos linear e exige maior capacidade de adaptação estratégica”, conclui.
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