Relatório da Abimetal-Sicetel aponta retração de importações no primeiro bimestre, com preços menores e sinais de acomodação, ainda sob influência do excedente global
As importações de produtos processados de aço iniciaram 2026 em queda, sinalizando um movimento de ajuste após patamares elevados registrados nos últimos anos. No primeiro bimestre, o volume importado somou 131,8 mil toneladas, recuo de 10,8% em relação ao mesmo período de 2025. Em valor, a retração foi ainda mais expressiva: queda de 13,8%, totalizando US$ 259,4 milhões.
O movimento reflete não apenas uma desaceleração da demanda, mas também a redução dos preços médios internacionais, que passaram de US$ 2,04/kg para US$ 1,97/kg no período analisado.
Para o economista da Abimetal-Sicetel, André Cattaruzzi, o dado precisa ser analisado com cautela. “Apesar da queda no agregado, ainda observamos níveis elevados de importação quando comparados a anos anteriores. O que está em curso é uma desaceleração gradual, não uma reversão estrutural do movimento”, explica Cattaruzzi.
China segue relevante, mesmo com recuo
A participação chinesa nas importações também apresentou redução no início do ano. No primeiro bimestre, o volume importado da China caiu 14,2%, totalizando 77,6 mil toneladas. Ainda assim, o país segue como principal origem, concentrando 58,9% do total importado.
Segundo Cattaruzzi, esse comportamento está diretamente ligado à dinâmica global de oferta. “A China continua operando com elevados níveis de produção e exportação, o que mantém pressão sobre os preços internacionais. Mesmo com oscilações pontuais, o excedente segue sendo um fator relevante para o mercado brasileiro.”
Queda no agregado esconde movimentos importantes
Embora o consolidado aponte retração, a análise por produtos revela um cenário mais heterogêneo. Das 96 NCMs avaliadas no estudo, 49 registraram aumento nas importações em 2026, sendo que 36 apresentaram crescimento superior a 10%.
Esse comportamento reforça que, mesmo em um ambiente de desaceleração, há nichos específicos com aumento de competitividade externa, o que exige atenção redobrada das empresas do setor.
“Quando olhamos de forma mais granular, vemos que a queda não é uniforme. Existem segmentos com avanço relevante, o que indica uma redistribuição das importações e não apenas uma redução linear”, destaca Cattaruzzi.
Tendência de desaceleração, mas em patamar ainda elevado
Os dados históricos mostram que as importações cresceram de forma consistente nos últimos anos, mais que dobrando entre 2019 e 2025, com crescente participação dos produtos chineses.
Nesse contexto, o início de 2026 pode representar um ponto de inflexão, ainda que moderado. “A leitura mais adequada é de um mercado brasileiro fraco e em que os produtores nacionais são forçados a baixar seus preços, comprimindo as margens, para permanecerem no mercado. Isso exige acompanhamento contínuo e estratégias bem calibradas por parte das empresas”, conclui Cattaruzzi.
Confira o relatório completo de importações
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