Levantamento revela alta de até 22,7% no carvão metalúrgico e valorização de produtos siderúrgicos, em meio à desaceleração da demanda chinesa e às oscilações do mercado internacional.
O mercado internacional do aço e de seus principais insumos apresenta movimentos distintos ao longo de 2026, com valorização de produtos siderúrgicos e do carvão metalúrgico, enquanto o minério de ferro registra queda expressiva. É o que revela o relatório Preços de Aço e seus Insumos – Outubro de 2026, elaborado pelo Departamento de Economia da Abimetal-Sicetel, que acompanha a evolução das cotações internacionais e seus reflexos sobre o ambiente de negócios da indústria processadora de aço.
Segundo o levantamento, o carvão metalúrgico premium FOB Austrália apresentou alta de 22,7% desde o início do ano, alcançando US$ 270 por tonelada em 13 de outubro. Em contrapartida, o minério de ferro com teor de 62%, referência no mercado chinês, acumulou desvalorização de 14,1% no mesmo período, chegando a US$ 91,90 por tonelada.
O comportamento desses indicadores evidencia a complexidade do cenário internacional, marcado por oscilações nos preços das matérias-primas e mudanças no ritmo da demanda, especialmente na China, um dos principais mercados da cadeia siderúrgica mundial.
Para o economista da Abimetal-Sicetel, André Cattaruzzi, as diferenças entre as trajetórias de preços exigem atenção das empresas que utilizam o aço como matéria-prima. “Estamos observando um cenário em que os principais insumos da cadeia siderúrgica apresentam comportamentos bastante diferentes. Enquanto o minério de ferro acumula uma queda significativa, o carvão metalúrgico registra valorização expressiva. Essa dinâmica mostra que a evolução dos custos e dos preços internacionais não ocorre de maneira uniforme, tornando o acompanhamento do mercado fundamental para o planejamento e a competitividade da indústria processadora de aço”, analisa.
Produtos siderúrgicos acumulam valorização, apesar de recuo após maio
Os preços internacionais de diferentes produtos siderúrgicos também registraram elevação ao longo de 2026, embora tenham apresentado oscilações nos últimos meses.
Na China, a cotação FOB do fio-máquina passou de US$ 467,50 por tonelada no início de janeiro para US$ 505 em 13 de outubro, uma valorização de 8%. O produto chegou a atingir US$ 512,50 por tonelada em maio, antes de apresentar recuos e novas oscilações.
Movimento semelhante foi observado no vergalhão chinês, que alcançou US$ 482,50 por tonelada em outubro, acumulando alta de 6,04% no ano. Já a bobina a quente, também na referência FOB China, registrou valorização de 5,76%, chegando a US$ 505 por tonelada.
A bobina a frio de aço carbono apresentou aumento de 7,14% desde janeiro, passando de US$ 525 para US$ 562,50 por tonelada. De acordo com o relatório, as cotações chinesas de fio-máquina, vergalhão e bobinas subiram até maio, acompanhando a retomada sazonal das atividades da construção civil durante a primavera no país asiático. A partir de junho, entretanto, o enfraquecimento da demanda contribuiu para a perda de força dos preços.
“A trajetória dos produtos siderúrgicos chineses ao longo do ano demonstra como as condições de demanda influenciam diretamente as cotações internacionais. Apesar das correções observadas após maio, os preços de diversos produtos permanecem acima dos níveis registrados no início de 2026. Para a indústria brasileira, compreender essas oscilações é importante tanto na negociação de matérias-primas quanto na avaliação das condições de concorrência internacional”, explica o economista.
Desaceleração imobiliária chinesa influencia o mercado global
Um dos fatores destacados pelo levantamento é a persistente fragilidade do mercado imobiliário chinês, que continua influenciando a demanda por aço e a formação dos preços internacionais.
Nos oito primeiros meses de 2026, o investimento imobiliário da China apresentou retração de 19,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Além disso, a produção chinesa de aço bruto registrou queda de 3,7% em agosto. Esse cenário contribuiu para limitar a sustentação das altas observadas no primeiro semestre e ajuda a explicar parte das oscilações registradas nas cotações dos produtos siderúrgicos.
O minério de ferro também refletiu esse ambiente de menor dinamismo. Após iniciar janeiro cotado a US$ 107 por tonelada e alcançar aproximadamente US$ 111 em março, o insumo perdeu valor ao longo dos meses seguintes. Em agosto, chegou a US$ 94,70 por tonelada e, depois de uma recuperação temporária em setembro, recuou para US$ 91,90 em 13 de outubro.
Já o carvão metalúrgico seguiu trajetória diferente. O produto atingiu US$ 288 por tonelada em 17 de setembro, antes de recuar para US$ 270 em outubro, mantendo valorização acumulada de 22,7% no ano.
“A desaceleração do setor imobiliário chinês é um elemento importante para compreender o comportamento recente do mercado siderúrgico. A redução dos investimentos e da produção de aço afeta as perspectivas de demanda, mas seus efeitos sobre os preços variam conforme o produto e as condições específicas de oferta. Por isso, é necessário analisar cada indicador de forma individualizada”, destaca Cattaruzzi.
Aço silício também registra recuperação de preços em 2026
O relatório da Abimetal-Sicetel também acompanha a evolução dos preços do aço silício no mercado chinês, material utilizado em aplicações eletromagnéticas, como motores e transformadores.
Em 2026, os produtos das categorias W600 e W800 registraram valorização de 6,8% e 6,7%, respectivamente, até 14 de outubro. O preço médio do aço silício W600 passou de US$ 621 para US$ 663 por tonelada, enquanto o W800 avançou de US$ 598 para US$ 638 por tonelada.
Apesar da recuperação, as cotações ainda permanecem abaixo dos níveis registrados no início de 2025. Na comparação com aquele período, o W600 acumula retração de 7,5%, enquanto o W800 apresenta queda de 8,6%.
O levantamento aponta que a trajetória de valorização desses produtos foi interrompida em junho, com recuos em julho. A partir de agosto, entretanto, os preços voltaram a apresentar aumentos contínuos. “Os dados do aço silício mostram que, embora exista uma recuperação dos preços em 2026, os valores ainda não retornaram aos patamares observados no início de 2025. Essa comparação reforça a importância de avaliar diferentes horizontes de tempo para compreender as tendências do mercado e evitar conclusões baseadas apenas nas variações mais recentes”, observa o economista.
Acompanhamento dos preços fortalece o planejamento da indústria
As oscilações dos preços internacionais do aço e de seus insumos representam uma variável importante para a indústria processadora brasileira, especialmente para empresas que dependem dessas matérias-primas em seus processos produtivos.
Nesse contexto, o monitoramento periódico das cotações contribui para a compreensão dos movimentos do mercado internacional e oferece subsídios para decisões relacionadas a compras, custos e planejamento empresarial.
Por meio de seus levantamentos econômicos, a Abimetal-Sicetel busca ampliar o acesso a informações estratégicas e fortalecer a capacidade de análise das empresas que integram a cadeia de processamento de aço. “Em um mercado global marcado por mudanças frequentes nas condições de oferta, demanda e preços, a informação econômica é uma ferramenta essencial para a tomada de decisões. O acompanhamento contínuo desses indicadores permite que as empresas identifiquem tendências, antecipem possíveis impactos e desenvolvam estratégias para preservar sua competitividade”, conclui André Cattaruzzi.
Confira o relatório completo
Quer saber mais sobre a evolução dos preços internacionais do aço e de seus principais insumos? Acesse o relatório Preços de Aço e seus Insumos – Outubro de 2026, elaborado pela Abimetal-Sicetel, e confira na íntegra os dados, tabelas e análises sobre o comportamento das cotações internacionais, incluindo minério de ferro, carvão metalúrgico, fio-máquina, vergalhões, bobinas e aço silício.
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