Levantamento da Abimetal-Sicetel aponta retração de 11,3% na produção acumulada do ano, enquanto importações seguem elevadas e pressionam a competitividade do setor.
O Panorama Econômico da Indústria Processadora de Aço de outubro de 2026, elaborado pela Abimetal-Sicetel, apresenta os principais indicadores que ajudam a compreender o desempenho e os desafios enfrentados pelo setor. O levantamento reúne dados atualizados sobre produção industrial, importações, exportações, empregos e preços internacionais do aço e de seus insumos, oferecendo uma visão abrangente do cenário econômico.
Nesta edição, os números revelam um cenário de retração da atividade industrial, redução de postos de trabalho e manutenção de volumes elevados de importações, apesar da queda registrada no acumulado do ano. Os dados também evidenciam comportamentos distintos entre os segmentos da indústria processadora de aço, reforçando a importância do monitoramento contínuo do mercado para a competitividade das empresas brasileiras.
De acordo com o levantamento, a produção de trefilados de metal, categoria que inclui produtos como telas, pregos, grampos e cabos, apresentou queda de 10,8% em agosto em relação a julho. Na comparação com agosto de 2025, a retração foi de 14,4%, enquanto o acumulado do ano registrou redução de 11,3%.
O desempenho contrasta com o resultado mais amplo da metalurgia, que apresentou crescimento de 1,1% no acumulado de 2026. A diferença evidencia as dificuldades específicas enfrentadas pelo segmento de processamento de aço.
Importações avançam em setembro, apesar da queda no acumulado do ano
Em setembro de 2026, as importações brasileiras de produtos processados de aço alcançaram 64.023 toneladas, crescimento de 16,4% em relação ao mesmo mês de 2025. Em valores, as compras externas somaram US$ 127,3 milhões, alta de 0,9% na comparação anual.
No acumulado de janeiro a setembro, entretanto, as importações totalizaram 600.933 toneladas, volume 3,7% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Em valores, houve redução de 3,9%, com movimentação de US$ 1,233 bilhão.
Apesar da retração acumulada, os volumes importados continuam expressivos. O levantamento destaca que as importações registradas em agosto e setembro de 2026 superaram os níveis observados nos mesmos meses de 2025 e permaneceram acima dos volumes mensais de 2024. Esse cenário reforça a importância do acompanhamento dos fluxos comerciais e de seus possíveis impactos sobre a competitividade da produção nacional.
Segmentos apresentam comportamentos distintos nas importações
A análise por grupos de produtos revela diferenças importantes no desempenho das importações ao longo dos primeiros nove meses de 2026. Entre os segmentos que registraram crescimento, destacam-se as telas de aço, com aumento de 14,9%, os arames de aço, com alta de 2,7%, e os arames farpados, cujas importações avançaram 9,3%.
Os grampos e outros artefatos de arame também apresentaram expansão de 12,6%, enquanto a categoria de outros produtos registrou crescimento de 30,7%. Por outro lado, alguns segmentos tiveram retrações significativas. As importações de tiras e fitas de aço caíram 20,6%, enquanto os perfis de aço registraram redução de 18,7%. Os cabos e cordoalhas apresentaram queda de 12%, e os pregos tiveram retração de 13,4%.
Os números demonstram que, embora o volume total importado tenha diminuído no acumulado do ano, determinadas categorias continuam apresentando crescimento, exigindo atenção às particularidades de cada mercado.
Exportações recuam, mas vendas aos Estados Unidos crescem
As exportações brasileiras de produtos processados de aço também apresentaram retração no acumulado de janeiro a setembro de 2026. No período, foram exportadas 149.614 toneladas, queda de 9,2% em relação aos mesmos meses de 2025. Em valores, as vendas externas somaram US$ 389,6 milhões, uma redução de 0,2%.
Em contrapartida, as exportações destinadas aos Estados Unidos registraram desempenho positivo. O volume comercializado alcançou 10.190 toneladas, crescimento de 21,7%, enquanto o valor exportado chegou a US$ 58,92 milhões, avanço de 24,3%.
Apesar do crescimento no acumulado, o panorama aponta que as exportações aos Estados Unidos perderam força nos indicadores mais recentes, após registrarem recuos de 27,2% em valor e 43,2% em volume no ano passado.
Os resultados mostram a importância de acompanhar tanto o desempenho geral das exportações quanto as particularidades dos principais mercados de destino.
Emprego industrial também apresenta retração
Os desafios enfrentados pela indústria processadora de aço também se refletem no mercado de trabalho. Segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o setor contabilizou 28.323 empregos em agosto de 2026, uma perda líquida de 398 postos de trabalho em relação ao mesmo mês de 2025, quando eram registrados 28.721 empregos.
A redução acompanha o cenário de enfraquecimento da atividade produtiva e evidencia a importância da recuperação da produção industrial para a manutenção dos postos de trabalho no setor.
Preços internacionais do aço apresentam oscilações
O Panorama Econômico de outubro também reúne informações sobre a evolução dos preços internacionais do aço e de seus principais insumos. Entre 1º de setembro e 13 de outubro de 2026, o minério de ferro registrou queda de 9,5%, passando de US$ 101,50 para US$ 91,90 por tonelada.
No mesmo intervalo, o fio-máquina chinês apresentou redução de 0,5%, enquanto o vergalhão recuou 1% e a bobina a quente teve queda de 1,5%. Em sentido contrário, o carvão metalúrgico registrou valorização de 1,9%, e a bobina a frio de aço carbono apresentou alta de 2,3%.
Essas oscilações reforçam a necessidade de monitoramento constante dos preços internacionais, que influenciam os custos de matérias-primas, as negociações comerciais e o planejamento das empresas da cadeia processadora de aço.
Informação estratégica para fortalecer a indústria nacional
Os indicadores apresentados no Panorama Econômico de Outubro de 2026 revelam um cenário de desafios para a indústria processadora de aço, marcado pela retração da produção, perda de empregos e manutenção de volumes expressivos de importações.
Ao mesmo tempo, os diferentes desempenhos observados entre os segmentos, nas exportações e nos preços internacionais demonstram a complexidade do ambiente econômico e a importância de análises periódicas para orientar decisões empresariais.
A Abimetal-Sicetel mantém seu compromisso com o acompanhamento dos indicadores econômicos e com a produção de informações que contribuam para a competitividade, o desenvolvimento e o fortalecimento da indústria processadora de aço brasileira.
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O acompanhamento dos indicadores econômicos é fundamental para compreender os movimentos do mercado, identificar tendências e apoiar decisões estratégicas das empresas do setor.
Por meio do Panorama Econômico, a Abimetal-Sicetel reafirma seu compromisso com a produção e a divulgação de informações relevantes para o fortalecimento e a competitividade da indústria processadora de aço brasileira.
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