Importações de produtos processados de aço crescem 16,4% em setembro, aponta Abimetal-Sicetel

Apesar da retração de 3,7% no acumulado de 2026, avanço das compras externas em setembro e crescimento em diferentes categorias de produtos reforçam a necessidade de atenção à competitividade da indústria nacional.

As importações brasileiras de produtos processados de aço registraram crescimento de 16,4% em setembro de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, alcançando 64.023 toneladas. Os dados fazem parte do Relatório de Importações de Outubro, elaborado pelo Departamento de Economia da Abimetal-Sicetel, com base nas informações da plataforma Comex Stat.

O resultado contrasta com o desempenho acumulado do ano. Entre janeiro e setembro de 2026, o Brasil importou 600.933 toneladas de produtos processados de aço, volume 3,7% inferior às 624.101 toneladas registradas no mesmo período de 2025. Em valores, as importações somaram US$ 1,233 bilhão, uma redução de 3,9% na comparação anual.

Embora os números acumulados indiquem retração, o comportamento das importações em setembro e o crescimento observado em diversas categorias de produtos demonstram que a concorrência internacional continua sendo um fator relevante para a indústria processadora de aço brasileira.

Para o economista da Abimetal-Sicetel, André Cattaruzzi, a análise dos resultados exige atenção não apenas ao volume total importado, mas também à evolução das diferentes categorias que compõem o setor. “O recuo das importações no acumulado do ano não significa necessariamente uma redução da pressão competitiva sobre a indústria nacional. Quando observamos o crescimento de setembro e o comportamento individual dos produtos, percebemos que determinados segmentos continuam registrando avanços expressivos das compras externas. Esse movimento precisa ser acompanhado de perto, especialmente pelos seus possíveis impactos sobre a produção e a competitividade das empresas brasileiras”, analisa Cataruzzi.

China mantém participação expressiva nas importações

A China continua sendo a principal origem dos produtos processados de aço importados pelo Brasil. Nos primeiros nove meses de 2026, as compras provenientes do país asiático totalizaram 356.290 toneladas, uma redução de 3,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Apesar da queda no volume, a participação chinesa permaneceu em 59,3% do total importado. Em valores, as compras da China alcançaram US$ 473,5 milhões, representando 38,4% do montante registrado no período, ante 37,4% em 2025.

Somente em setembro, as importações chinesas somaram 34.464 toneladas, crescimento de 14,7% em relação ao mesmo mês do ano passado, embora tenham apresentado retração de 5,1% frente a agosto.

Outro indicador relevante é o preço médio dos produtos importados. No acumulado do ano, o valor médio FOB das importações totais passou de US$ 2,06 para US$ 2,05 por quilo, enquanto o preço médio dos produtos provenientes da China aumentou de US$ 1,30 para US$ 1,33 por quilo. “A participação da China no mercado brasileiro permanece bastante significativa, mesmo diante da redução do volume acumulado. A diferença entre os preços médios dos produtos chineses e os valores gerais das importações também merece atenção, embora seja necessário considerar as características e a composição dos produtos comercializados. Esse acompanhamento é fundamental para compreender as condições de concorrência enfrentadas pelos fabricantes nacionais”, explica o economista.

Mais da metade dos produtos analisados registra aumento nas importações

Um dos pontos de destaque do levantamento é o comportamento das 96 classificações fiscais, identificadas pela Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), utilizadas para acompanhar as importações de produtos processados de aço.

Mesmo com a retração do volume total no acumulado de janeiro a setembro, 52 das 96 NCMs analisadas apresentaram crescimento nas importações em relação ao mesmo período de 2025.

Desse conjunto, 44 registraram aumento superior a 10% no volume importado, enquanto 38 tiveram expansão acima de 20%. Os resultados mostram que a redução agregada das importações não ocorreu de maneira uniforme entre os diferentes segmentos da indústria processadora de aço.

“Os dados revelam um cenário heterogêneo. Enquanto algumas categorias apresentam redução das compras externas, outras continuam registrando aumentos relevantes. Por isso, é importante que a análise vá além dos indicadores gerais e considere as particularidades de cada segmento, permitindo identificar onde a concorrência internacional está se intensificando”, destaca Cattaruzzi.

Monitoramento é essencial para a competitividade industrial

O relatório da Abimetal-Sicetel acompanha as importações de diferentes produtos da cadeia processadora de aço, incluindo arames, barras, perfis, tiras, fitas, cabos, telas, pregos e outros artefatos metálicos.

O levantamento também contempla análises relacionadas a produtos sujeitos a alíquotas de importação elevadas, contribuindo para o acompanhamento dos fluxos comerciais e das condições de concorrência enfrentadas pela indústria brasileira.

Para a Abimetal-Sicetel, a produção e a divulgação periódica desses indicadores são instrumentos importantes para subsidiar análises econômicas, decisões empresariais e discussões sobre a competitividade da produção nacional.

“O acompanhamento sistemático das importações permite identificar tendências, avaliar mudanças no mercado e oferecer informações relevantes para o planejamento das empresas. Em um ambiente de concorrência internacional intensa, compreender esses movimentos é essencial para fortalecer a capacidade de resposta da indústria processadora de aço brasileira”, conclui André Cataruzzi.

Relatório completo detalha comportamento por produto

Além dos números consolidados, o “Relatório de Importações da Indústria Processadora de Aço – Outubro de 2026” apresenta análises específicas de tiras e fitas, barras e perfis, perfis de aço, arames, cabos e cordoalhas, arame farpado, telas, pregos, grampos e outros artefatos de arame. O documento também acompanha produtos processados e aços laminados sujeitos a alíquotas elevadas.

Associados Abimetal-Sicetel podem acessar a área restrita para consultar o relatório completo, acompanhar a evolução das importações por segmento e NCM e conferir as séries históricas e comparativos preparados pelo Departamento de Economia.

→ Acesse a área restrita e confira o Relatório de Importações completo.

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