Importações de produtos processados de aço recuam no acumulado, mas voltam a crescer em agosto

Levantamento da Abimetal-Sicetel aponta queda de 5,7% no volume importado entre janeiro e agosto, mas mês mais recente registra alta tanto na comparação mensal quanto anual

As importações brasileiras de produtos processados de aço somaram 536,9 mil toneladas entre janeiro e agosto de 2026, volume 5,7% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. Em valor, as compras externas chegaram a US$ 1,106 bilhão, com redução de 4,4%.

Os números fazem parte da edição de setembro do “Relatório de Importações da Indústria Processadora de Aço”, elaborado pelo Departamento de Economia da Abimetal-Sicetel a partir de dados do Comex Stat. O estudo acompanha 96 produtos agrupados por códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). 

Embora o acumulado do ano indique retração frente a 2025, os dados mais recentes recomendam atenção. Somente em agosto, o Brasil importou 66.430 toneladas de produtos processados de aço, 6% acima de julho e 7,2% a mais que em agosto de 2025. 

“Quando olhamos apenas o acumulado, vemos uma redução em relação a 2025. Mas o dado mensal mostra que o movimento não é linear. Agosto voltou a apresentar crescimento e ficou acima tanto do mês anterior quanto do mesmo período do ano passado. Por isso, precisamos acompanhar a evolução das importações de forma contínua e também observar o comportamento de cada segmento.”, explica André Cattaruzzi, economista da Abimetal-Sicetel.

Queda no total não significa retração generalizada

Um dos pontos de atenção do levantamento está justamente na composição das importações. Das 96 NCMs analisadas, 39 registraram crescimento do volume importado nos primeiros oito meses de 2026. Em 32 delas, o avanço foi superior a 10% e, em 26, ultrapassou 20% na comparação com o mesmo período de 2025. 

O comportamento dos diferentes segmentos confirma essa disparidade. Enquanto tiras e fitas registraram queda de 23,9% no volume importado entre janeiro e agosto, para 64,2 mil toneladas, barras e perfis apresentaram retração bem menor, de 1,6%, totalizando 41,3 mil toneladas. 

Em perfis de aço, o recuo chegou a 26,7%, de 70,3 mil para 51,5 mil toneladas no período analisado. “Os dados agregados são importantes, mas não contam toda a história. Temos produtos com retrações relevantes e outros em que as importações continuam avançando. Para avaliar o impacto sobre a indústria processadora brasileira, é fundamental descer ao nível dos produtos e entender onde a pressão externa permanece ou está aumentando”, destaca Cattaruzzi.

China mantém participação próxima de 60% no volume importado

A China permanece como a principal origem dos produtos processados de aço importados pelo Brasil dentro do universo analisado pelo estudo. Entre janeiro e agosto, as importações provenientes do país somaram 321,8 mil toneladas, queda de 5,3% em relação às 339,9 mil toneladas do mesmo período de 2025. Mesmo com a redução, a participação chinesa no volume total passou de 59,7% para 59,9%. 

Em agosto, foram 36,3 mil toneladas provenientes da China. O volume caiu 4,9% frente a julho, mas ficou 6,8% acima de agosto de 2025.  

O comportamento de longo prazo ajuda a dimensionar a relevância dessa participação. Segundo a série histórica apresentada no relatório, as importações totais de produtos processados de aço cresceram 94,8% entre 2019 e 2025, um acréscimo de quase 400 mil toneladas. Desse crescimento, cerca de 325 mil toneladas corresponderam a produtos chineses, cujo volume importado aumentou 197% no período. 

Para o economista, mesmo quando há uma acomodação no curto prazo, não podemos perder de vista a mudança de patamar ocorrida nos últimos anos. “A série histórica mostra o quanto as importações ganharam espaço no mercado brasileiro e, particularmente, o peso adquirido pelos produtos de origem chinesa”, avalia.

Agosto interrompe tendência de desaceleração

Outro dado que merece atenção é a evolução mensal. O relatório mostra que o volume de agosto ficou acima dos patamares registrados em junho e julho. Mais do que isso: apesar da redução de 2026 em relação ao acumulado de 2025, todos os meses deste ano até agosto apresentaram volumes de importação superiores aos respectivos patamares de 2024. 

Em agosto, o valor FOB das importações chegou a US$ 143 milhões, avanço de 8,9% frente ao mesmo mês de 2025. As compras provenientes da China responderam por US$ 53,6 milhões, alta de 20,2% na mesma comparação. 

Para Cattaruzzi, os números reforçam a necessidade de analisar o cenário para além de uma comparação pontual. “A redução acumulada em 2026 precisa ser colocada em perspectiva. Estamos comparando com 2025, depois de um período de forte crescimento das importações. Quando ampliamos a série histórica e observamos também os dados mensais e por produto, conseguimos ter uma dimensão mais precisa do cenário enfrentado pela indústria nacional.”

Relatório completo detalha comportamento por produto

Além dos números consolidados, o “Relatório de Importações da Indústria Processadora de Aço – Setembro de 2026” apresenta análises específicas de tiras e fitas, barras e perfis, perfis de aço, arames, cabos e cordoalhas, arame farpado, telas, pregos, grampos e outros artefatos de arame. O documento também acompanha produtos processados e aços laminados sujeitos a alíquotas elevadas. 

Associados Abimetal-Sicetel podem acessar a área restrita para consultar o relatório completo, acompanhar a evolução das importações por segmento e NCM e conferir as séries históricas e comparativos preparados pelo Departamento de Economia.

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