Levantamento da Abimetal-Sicetel aponta recuperação de diferentes produtos em agosto e setembro, após perda de força a partir de junho; comportamento dos insumos, porém, segue desigual
Os preços internacionais de diferentes produtos de aço voltaram a apresentar sinais de alta entre o fim de agosto e setembro, após um período de acomodação observado a partir de junho. O movimento aparece na edição de setembro do estudo “Preços de Aço e seus Insumos”, elaborado pelo Departamento de Economia da Abimetal-Sicetel.
O levantamento acompanha a evolução de preços de produtos siderúrgicos e matérias-primas em mercados como China, Turquia, Estados Unidos e mostra que 2026 vem sendo marcado por movimentos distintos ao longo do ano. Os primeiros meses registraram aumento nos preços de bobinas, vergalhão e fio-máquina na China. A partir de junho, houve perda de força, com quedas ou estabilidade, cenário que começou a mudar novamente no fim de agosto e em setembro.
“Mais do que observar uma alta ou uma queda isoladamente, é importante acompanhar a trajetória dos preços ao longo do ano. Tivemos uma valorização no início de 2026, seguida por um período de acomodação e, mais recentemente, uma nova recuperação em diferentes produtos. Para a indústria processadora, acompanhar esses movimentos é fundamental para entender o comportamento do mercado internacional”, afirma André Cattaruzzi, economista da Abimetal-Sicetel.
Fio-máquina volta a US$ 505 por tonelada
Entre os produtos acompanhados está o fio-máquina chinês. O preço médio passou de cerca de US$ 467 por tonelada em janeiro para US$ 500 em março e chegou a US$ 510 em meados de maio. Depois de permanecer próximo de US$ 505 em junho e julho e recuar em agosto, voltou ao patamar de US$ 505 por tonelada em setembro.
Na comparação apresentada pelo relatório, o fio-máquina da China acumula alta de 8,02% desde o início de 2026. Na Turquia, o mesmo produto alcançou US$ 642,50 por tonelada em setembro, com avanço de 12,72% no ano.
A recuperação também aparece em outros produtos. A bobina a quente chinesa chegou a US$ 508 por tonelada em setembro, alta de 6,39% em relação ao início de 2026. Já a bobina a frio de aço carbono da China atingiu US$ 562,50 por tonelada, avanço de 7,14% no mesmo período. “O comportamento não é uniforme entre produtos, mercados e insumos. Por isso, olhar apenas para um indicador pode levar a uma leitura incompleta. O acompanhamento conjunto permite identificar onde há pressão de custos, onde os preços estão se recuperando e quais movimentos podem ter maior impacto para as empresas do setor”, explica Cattaruzzi.
Insumos seguem trajetórias diferentes
Entre as matérias-primas, o cenário também apresenta contrastes. O carvão FOB Austrália chegou a US$ 288 por tonelada em 15 de setembro, acumulando alta de 30,91% desde o início de 2026. O minério de ferro 62% na China, por outro lado, estava em US$ 96,90 por tonelada, abaixo dos US$ 107 registrados no início do ano.
Ao longo de 2026, o minério chegou a US$ 110 por tonelada em março, caiu para uma mínima de US$ 94,70 em de agosto e voltou a superar US$ 100 no início de setembro, antes de perder força novamente.
Para Cattaruzzi, essa diferença reforça a necessidade de acompanhar o mercado de forma contínua. “Quando produtos acabados e matérias-primas apresentam trajetórias diferentes, aumenta a importância de uma leitura mais ampla. São movimentos que precisam ser observados em conjunto, principalmente por empresas que dependem dessas referências para acompanhar custos e condições de mercado.”
Aço silício sobe em 2026, mas permanece abaixo de 2025
O estudo dedica ainda uma análise específica ao aço silício. Os produtos W600 e W800 registram alta de 3,7% em dólar em 2026, mas os preços ainda permanecem, respectivamente, 10,2% e 11,2% abaixo dos níveis observados no início de 2025.
Em ambos os casos, a trajetória de alta registrada durante 2026 foi interrompida em junho, seguida por quedas em julho e leve recuperação em agosto e setembro. “O comparativo mostra por que é importante trabalhar com diferentes horizontes de análise. Um produto pode estar se valorizando no ano e, ainda assim, permanecer abaixo do patamar observado em um período anterior. A série histórica ajuda a colocar o movimento mais recente em perspectiva”, acrescenta o economista.
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Os associados podem acessar a íntegra do relatório na área restrita do site da Abimetal-Sicetel, com tabelas completas, séries históricas e análises detalhadas sobre a evolução dos preços do aço, seus insumos e tendências para os próximos meses.
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