O boletim econômico de agosto de 2026, elaborado pela Abimetal-Sicetel, aponta para um cenário de desaceleração e retração acentuada no setor processador de aço no Brasil durante o segundo trimestre do ano. A combinação de queda na produção industrial, ajuste nas importações e retração nos preços internacionais na China reflete os desafios enfrentados pela cadeia metalúrgica nacional.

1. Produção Industrial e Trefilados em Queda Livre

Os dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF/IBGE) revelam um forte recuo na fabricação de produtos derivados de arame (trefilados):

  • 2º Trimestre de 2026: A queda foi de -16,9% em relação ao mesmo período de 2025.

  • Acumulado (Jan–Jun/2026): O setor acumula uma redução de -11,6% na produção física.

Essa desaceleração consolida uma trajetória negativa iniciada no fim de 2025, evidenciando o enfraquecimento do ritmo da atividade industrial.

2. Importações de Processados Apresentam Recuo

Entre janeiro e julho de 2026, o volume total de importações de produtos processados de aço totalizou 470.469 toneladas, representando uma retração de -7,2% em volume e -6,1% em valor (US$ 962,9 milhões) em comparação com 2025.

Destaques por segmento (Jan–Jul/2026):

  • Maiores quedas: Perfis de Aço (-29,6%), Tiras e Fitas (-23,8%) e Pregos (-21,1%).

  • Pontos de crescimento: Arames de Aço registram estabilidade positiva (+0,8%), enquanto Telas (+12,1%) e Grampos/Outros Artefatos (+21,0%) apresentaram alta.

3. Emprego e Mercado de Trabalho

O impacto da menor atividade refletiu no nível de emprego. Em junho de 2026, o segmento registrava 28.585 empregados, com o fechamento de 98 postos de trabalho no mês. A variação anual aponta uma leve retração de -0,3% na força de trabalho ocupada.

4. Preços Internacionais na China em Baixa (FOB)

No mercado internacional, os preços das matérias-primas e aços planos na China registraram queda generalizada entre junho e agosto de 2026:

  • Bobina a quente: US$ 492,50/t (-6,5%)

  • Bobina a frio (aço carbono): US$ 542,50/t (-5,2%)

  • Vergalhão: US$ 477,50/t (-3,5%)

  • Fio-Máquina: US$ 495,00/t (-2,5%)

Considerações Finais

O cenário do segundo semestre exige cautela e acompanhamento contínuo. A queda nas margens globais associada ao recuo da demanda doméstica reforça a necessidade de estratégias de governança, controle de estoques e inteligência de mercado para que as indústrias naveguem pelas oscilações do setor metalúrgico.

(Fonte: Comex Stat, IBGE/PIM-PF, CAGED / Compilação Abimetal-Sicetel)