Em 2025, a China, maior produtora de aço do mundo, apresentou um desempenho misto em sua indústria siderúrgica. Enquanto a produção de bobinas laminadas a quente e a frio registrou crescimento relevante, os produtos longos, especialmente aqueles ligados à construção civil, apresentaram retração.
Os dados divulgados pelo National Bureau of Statistics da China mostram uma indústria em adaptação a um cenário de demanda doméstica enfraquecida, maior foco em exportações e políticas governamentais mais rígidas sobre capacidade produtiva e meio ambiente.
O comportamento divergente entre os diferentes tipos de produtos siderúrgicos ajuda a compreender as mudanças estruturais em curso na economia chinesa e seus impactos sobre o mercado global de aço.
Crescimento de HRC e CRC sustenta segmento de produtos planos
Em 2025, a produção chinesa de bobinas laminadas a quente, conhecidas como HRC, atingiu 222,68 milhões de toneladas, registrando um aumento de 4,2 por cento em relação ao ano anterior. No mesmo período, a produção de bobinas laminadas a frio, ou CRC, totalizou 48,517 milhões de toneladas, com crescimento ainda mais expressivo de 6,9 por cento na comparação anual, de acordo com dados oficiais do National Bureau of Statistics.
Esse desempenho positivo reflete uma demanda relativamente mais estável por produtos planos, amplamente utilizados nos setores automotivo, de eletrodomésticos, equipamentos industriais e manufatura em geral. Mesmo com a desaceleração da economia chinesa, esses segmentos continuaram demandando aço de maior valor agregado, o que contribuiu para sustentar os volumes de produção de HRC e CRC ao longo do ano.
Além disso, a competitividade do aço chinês no mercado internacional desempenhou papel importante. Com a demanda doméstica mais fraca, parte da produção foi direcionada para exportações, especialmente de produtos planos, que encontraram mercados em diversas regiões do mundo.
Produção e preços de HRC e CRC em dezembro
Considerando apenas o mês de dezembro de 2025, os dados mostram um comportamento distinto entre HRC e CRC. A produção de HRC somou 17,076 milhões de toneladas, representando uma queda de 4,8 por cento em relação ao mesmo mês do ano anterior e uma redução de 4,16 por cento frente a novembro.
Já a produção de CRC alcançou 4,316 milhões de toneladas, com leve alta de 0,8 por cento na comparação anual e crescimento marginal de 0,3 por cento mês a mês.
No mercado doméstico chinês, os preços do HRC apresentaram queda no início de dezembro, seguida por uma leve recuperação a partir da metade do mês e posterior estabilidade até o encerramento do período.
Produção de vergalhão e produtos longos segue em retração
Ao contrário do segmento de produtos planos, os produtos longos continuaram enfrentando dificuldades em 2025. A produção de vergalhão, conhecido como rebar, totalizou 186,308 milhões de toneladas no ano, uma queda de 4,3 por cento em comparação com 2024.
A produção de fio-máquina, ou wire rod, somou 132,826 milhões de toneladas, recuando 1,6 por cento, enquanto a produção de tubos soldados alcançou 60,143 milhões de toneladas, com redução de 0,8 por cento na mesma base de comparação.
Esses números refletem diretamente a fraqueza persistente do setor imobiliário chinês e a menor atividade em projetos de infraestrutura. Como o vergalhão é amplamente utilizado na construção civil, a redução nos novos empreendimentos e nos investimentos em obras impactou fortemente a demanda por esse tipo de aço.
Desempenho dos produtos longos em dezembro
No mês de dezembro, a retração dos produtos longos se intensificou. A produção de rebar ficou em 13,559 milhões de toneladas, representando uma queda expressiva de 15,6 por cento em relação ao mesmo mês do ano anterior e recuo de 1,4 por cento frente a novembro.
O fio-máquina registrou produção de 9,632 milhões de toneladas, com queda de 14,1 por cento ano a ano e redução de 4,5 por cento mês a mês. Já os tubos soldados somaram 4,918 milhões de toneladas, apresentando recuo de 10,1 por cento na comparação anual e de 2,0 por cento em relação ao mês anterior.
Produção de aço bruto e cenário macroeconômico
Os dados específicos de HRC, CRC e rebar fazem parte de um contexto mais amplo da indústria siderúrgica chinesa em 2025. A produção total de aço bruto do país asiático caiu para aproximadamente 960 milhões de toneladas, o menor nível desde 2018, refletindo tanto a fraqueza da demanda interna quanto as políticas governamentais voltadas ao controle da capacidade produtiva e à redução das emissões de carbono.
Apesar da queda na produção total, as exportações de aço da China atingiram níveis recordes em 2025: 119 milhões de toneladas. Com o consumo doméstico enfraquecido, as siderúrgicas intensificaram as vendas externas, especialmente de produtos planos, o que reforçou a presença chinesa no mercado global, mas também aumentou tensões comerciais com outros países produtores.
O que esperar para 2026
Para 2026, as perspectivas para a indústria siderúrgica chinesa permanecem cautelosas. Analistas do setor avaliam que o governo continuará adotando políticas para limitar a expansão da capacidade produtiva e cumprir metas ambientais, o que deve manter a produção de aço bruto sob controle.
Ao mesmo tempo, espera-se uma possível estabilização gradual do setor imobiliário, o que poderia trazer algum alívio para a demanda por produtos longos, embora uma recuperação rápida ainda seja considerada improvável.
O foco das siderúrgicas chinesas deve permanecer nos produtos de maior valor agregado e nas exportações, especialmente de bobinas laminadas. A evolução dos preços das matérias-primas, como minério de ferro e carvão metalúrgico, também será determinante para as margens de produção.
Além disso, o ambiente do comércio internacional, marcado por medidas antidumping e barreiras comerciais, seguirá sendo um fator relevante para o desempenho do setor ao longo do ano.


