Os aprendizados de um ano desafiador e os caminhos que se abrem para 2026

Por: Ricardo Martins, presidente da Abimetal-Sicetel

O ano de 2025 foi, para a indústria processadora de aço, um período de ajustes profundos, decisões difíceis e aprendizados relevantes. Não foi um ano simples, e tampouco poderia ser. Vivemos um contexto marcado por desaceleração da demanda, pressão crescente das importações, volatilidade nos custos e um ambiente internacional cada vez mais protecionista.

Ainda assim, foi também um ano que evidenciou a resiliência do setor, a capacidade de adaptação das empresas e, sobretudo, a importância de uma atuação institucional firme, técnica e contínua.

Ao longo de 2025, observamos o avanço das importações em diversos segmentos, muitas vezes a preços que não refletem as condições reais de concorrência. Esse movimento pressionou margens, reduziu volumes e exigiu das empresas um esforço adicional para preservar eficiência e sustentabilidade. Em paralelo, o mercado interno mostrou sinais de fragilidade, com níveis de utilização da capacidade instalada abaixo do desejável e pouco espaço para recomposição de preços.

Esse cenário exigiu uma mudança clara de postura: menos foco em expansão e mais atenção à gestão, produtividade e posicionamento estratégico.

A importância da isonomia em um mundo mais protecionista

O ambiente internacional deixou uma mensagem clara em 2025: as principais economias estão protegendo suas indústrias. As tarifas impostas pelos EUA, as políticas industriais adotadas por países asiáticos e os mecanismos regulatórios mais rigorosos em diversos mercados reforçam que a competição global deixou de ser apenas comercial, ela é também regulatória e estratégica.

Nesse contexto, a defesa da isonomia concorrencial deixou de ser uma pauta setorial e passou a ser um imperativo econômico. Avançamos em frentes importantes, como a prorrogação de alíquotas para produtos estratégicos e a inclusão de itens relevantes na agenda regulatória, mas seguimos conscientes de que medidas pontuais não substituem uma política industrial consistente, previsível e de longo prazo.

Fortalecer a indústria nacional não significa fechar mercados. Significa garantir que todos concorram sob as mesmas regras, com padrões técnicos, qualidade e segurança respeitados.

O que 2025 nos ensinou?

O balanço de 2025 deixa lições importantes para o setor:

  • Margem importa mais do que volume em um cenário de demanda contida;
  • Qualidade, conformidade e rastreabilidade são ativos estratégicos frente à concorrência desleal;
  • Informação e inteligência de mercado são fundamentais para decisões mais assertivas.

As empresas que atravessaram o ano com maior solidez foram aquelas que entenderam rapidamente esse novo contexto e ajustaram suas estratégias, estruturas e prioridades.

2026: cautela, foco e visão de longo prazo

Ao olharmos para 2026, o cenário ainda pede prudência. Não há sinais claros de uma retomada robusta no curto prazo, e a pressão competitiva deve permanecer elevada. A tendência é de um ano que exigirá disciplina financeira, gestão ativa de custos e decisões bem calibradas.

Ao mesmo tempo, 2026 se apresenta como um ano decisivo para preparar o futuro. Temas como a implementação da Reforma Tributária, o avanço das agendas regulatórias, a modernização produtiva e o fortalecimento institucional do setor estarão no centro das discussões.

Será o momento de consolidar estratégias, investir de forma seletiva e reforçar a cooperação dentro da cadeia produtiva. Em um ambiente desafiador, a atuação coletiva ganha ainda mais relevância.

O papel da Abimetal-Sicetel

Ao longo de 2025, a Abimetal-Sicetel manteve sua atuação firme na defesa dos interesses do setor, com base técnica, diálogo institucional e compromisso com o desenvolvimento da indústria processadora de aço. Seguiremos em 2026 com o mesmo propósito: representar, conectar e fortalecer nossas associadas.

Acreditamos que não há país competitivo sem uma indústria forte. Defender quem produz no Brasil é defender empregos, inovação, arrecadação e desenvolvimento.

Entramos em 2026 conscientes dos desafios, mas confiantes na capacidade do setor de se adaptar, evoluir e seguir contribuindo de forma decisiva para a economia brasileira. O caminho não é simples, mas é claro: qualidade, isonomia, eficiência e visão de longo prazo continuarão sendo os pilares que sustentam o futuro da indústria processadora de aço.

Compartilhe nosso conteúdo